O Antigo Reino Anão

Há incontáveis gerações anãs, um poderoso reino dominava um vasto território no norte do continente, impedidos de expandir apenas pelo Mar Norgrim (atual Mar Imperial) e pela terrível e imensa Floresta Feni (atualmente devastada e onde se localizam o oeste de Yondária, o reino de Orlund o reino élfico Amblisdrys).
O reino dominava as poderosas cidadelas anãs das montanhas e as tribos humanas das terras baixas com governo forte e justo, onde os humanos eram vistos como inferiores aos anões, mas nunca menosprezados. Os anões protegiam as terras baixas com seus poderosos soldados e os humanos pagavam tributos com madeira, comida (de caça e agricultura primitiva, principalmente), peles e outros bens escassos nas cidadelas dentro das montanhas. Com essa união a região passou por um longo período de paz.
Esse período de paz terminou com a chegada de uma estranha raça vinda da Floresta Feni – mais altos, esguios e ágeis que os anões, os estranhos seres de orelhas pontudas e olhos amendoados que pareciam revelar outras terras demonstraram grande poderio militar e capacidade de manipular energias estranhas nunca antes vistas. Os autodenominados valani, ou elfos como são conhecidos até os dias atuais, iniciaram uma campanha de conquista através do frio território anão.
Com a vantagem da surpresa e técnicas desconhecidas, os anões foram perdendo domínio das terras baixas, empurrando anões e humanos para as regiões mais altas onde tiravam vantagem do clima severo com que os invasores não estavam acostumados. Entretanto, os anões não contavam com o imenso poderio mágico do líder dos elfos, Uthiriaen, que começou a utilizar seus feitiços para afetar as próprias montanhas, criando terremotos, desmoronamentos e avalanches.
De posse das três Relíquias Anãs, o Grande Rei Kazran defendeu seu povo com imensa determinação – com a Coroa do Domínio impediu que os elfos de mentes mais fracas prosseguissem no ataque, com o Cetro do Poder exterminou os soldados inimigos que surgiram em seu caminho e, por fim, com o Orbe das Almas conseguiu aprisionar a alma de Uthiriaen, com sua própria vida como preço para usar o artefato.
Sem os dois poderosos líderes, a guerra entre anões e elfos continuou por vários anos com os anões retomando lentamente o controle sobre as terras conquistadas até uma inevitável retirada dos invasores de volta para a Floresta Feni.
O Grande Rei Hugnir, filho coroado do Rei Kazran, mandou forjar o mais poderoso cofre já feito na lendária Cidade dos Sonhos – Aznarad – para que o Orbe das Almas fosse guardado e o poderoso arquimago inimigo não se libertasse. Terminado, o cofre com a Orbe das Almas foi levado para um local remoto e secreto. Com seu reino enfraquecido, o Grande Rei não conseguiu manter seu controle absoluto sobre todo o território, tornando os reis das cidadelas anãs mais independentes e as tribos humanas descontroladas e conflitantes, com apenas uma grande tribo leal aos anões, os Orkan, que permaneceram vivendo nas regiões altas, próximos aos anões.
Tempos mais tarde, sob governo do bisneto do Grande Rei Hugnir – o Grande Rei Hargin – a tribo humana Orkan se voltou contra os anões e atacaram suas cidadelas de forma fanática e suicida, com o grande número de atacantes dando vantagem sobre a disciplina e treinamento dos anões, resultando na queda de diversas fortificações anãs. Quando o Grande Rei percebeu que seus antigos aliados estavam sendo influenciados pelo grande poder do aprisionado Uthiriaen (que se tornou ainda mais poderoso em seu confinamento, conseguindo afetar o mundo físico com um pouco de seu poder) ordenou que um grande batalhão fosse enviado para proteger o cofre do Orbe das Almas. Entretanto, os soldados anões não chegaram a tempo, um grande exército bárbaro já vasculhava o local, iniciando diversas batalhas terríveis até que o cofre foi localizado e um xamã humano chamado Entrok conseguiu destruir o Orbe das Almas, libertando a alma do antigo líder elfo. Depois de séculos de aprisionamento, a essência de Uthiriaen foi consumida pelo ódio e ambição, perdendo sua personalidade e ideais de vida, tornando-se uma força de corrupção e dominação que dominou o xamã Entrok, dando-lhe poderes divinos e uma sede de poder absoluto.
Com poderes imensos, Entrok percebeu a lenta derrota que seus irmãos bárbaros sofriam e transformou seus corpos e mentes para algo mais poderoso e brutal, fisicamente feitos para a batalha e mentalmente feitos para a guerra. E assim a tribo Orkan deu origem à raça selvagem conhecida nos dias de hoje apenas como orcs.
Derrotando os anões nas regiões remotas, Entrok e seus poderosos soldados avançaram em direção à Aznarad, a capital do grande reino anão. Os anões encontrados no caminho foram dizimados facilmente, fazendo os boatos das derrotas anãs chegarem antes na capital. Com as más notícias, o Grande Rei Hargin ordenou as retiradas de todos os anões que não podiam lutar para os distantes postos militares no sul. Sem esperanças de vitória, Hargin entregou a Coroa do Domínio e o Cetro do Poder para seus filhos mais velhos liderarem seu povo e reconstruir o reino nas novas terras. Os jovens príncipes Dorin e Thingrim partiram a frente de seu povo em peregrinação às terras do sul por meio de batalhas contra os humanos não transformados sob domínio de Entrok.
Com o início da batalha em Aznarad, o último Grande Rei dos anões tomou a decisão mais difícil que poderia, um grupo de sacerdotisas de Tadhula (Deusa Mãe do Panteão Anão) disseram como seria possível criar uma forma mais poderosa de aprisionar o espírito inimigo, um antigo ritual chamado Prisão de Tadhula, onde cada anão vivo no mundo daria forças para manter o poder do ritual, porém a um grande preço: todos os anões seriam separados permanentemente das forças mágicas do mundo, não mais tendo acesso às bênçãos das divindades e impedindo que qualquer anão forjasse qualquer tipo de item encantado, dando fim à criação dos grandes artefatos que acompanharam os anões por toda a sua história. Percebendo que sem a força de Entrok os humanos voltariam ao normal, permitindo que os anões retomassem a superioridade e vencessem a guerra, o Grande Rei ordenou que o ritual fosse feito.
Com o andamento do ritual, todos os mortais viram o imenso poder dos deuses, Entrok começou lentamente a transformar-se em pedra enquanto o terreno ao seu redor erguia-se e aprisionava-o sob uma imensa montanha que se formou, criando terríveis terremotos percebidos a distâncias imensas. O grande inimigo estava aprisionado novamente, mas Aznarad também estava caindo com o poder dos tremores, sendo soterrada em sua montanha. Apesar da derrota de Entrok, nem tudo ocorreu como Hargin planejou. Os humanos transformados permaneceram em sua forma brutal mesmo sem o poder de seu mestre. Os orcs que conseguiram sobreviver aos terremotos criados pelo ritual, avançaram para o sul atrás dos anões que haviam fugido.
Após um longo tempo de batalhas e perseguições, os anões conseguiram alcançar a Grande Ponte atravessando-a para as terras ao sul do Mar Norgrim, seguidos de perto pelos orcs. Outro sacrifício heróico teve de ser feito para a sobrevivência da raça anã – anões permaneceram na ponte para enfrentar o grande número de orcs que investia, liderados por Dwinbar, um velho e valoroso guerreiro, e conseguiram resistiram até que grande parte dos orcs já estivesse na ponte. Empunhando seu poderoso martelo mágico, o velho guerreiro começou a destruir a Grande Ponte com poderosos golpes dignos de um deus e no terceiro golpe seguido, a ponte foi destruída, libertando os anões da perseguição orc, enquanto centenas de anões, o velho guerreiro e seu lendário martelo caíram no mar para seu descanso eterno.
Sem conhecimento se o plano daria certo, o príncipe que liderava esses anões decidiu dividir o grupo restante de sobreviventes para aumentar as chances de sucesso. Uma parte seguiu para o sul em direção a uma nova mina ainda em construção. Enquanto o príncipe Thingrim liderou seu povo para de volta para o norte, contornando o Mar Norgrim na esperança de conseguir ajudar seu irmão que ficara para trás, avançou em direção a um antigo posto militar de antes da invasão élfica ao Antigo Grande Reino, conseguindo expulsar as criaturas que dominavam o local com o Cetro do Poder.
Enquanto o Príncipe Thingrim foi diretamente para a Grande Ponte, o Príncipe Dorin levou seus seguidores para o oeste em busca de uma fortificação anã que acreditava estar a salvo. Mas estava errado. O lugar estava praticamente destruído e tomado por criaturas monstruosas, o que forçou o Príncipe Dorin partir em direção à Grande Ponte tentando alcançar seu irmão, mas já a encontrando destruída. Lutou ao lado de seus homens contra os orcs remanescentes ao norte do Mar Norgrim. As batalhas foram duras, mas os anões prevaleceram.
Ambos os príncipes tornaram-se reis de seus próprios reinos – Dorin fundou Faernauraglor (Rochedo das Águas) e Thingrim fundou Araundonnar (Colina Estelar). Isolados em suas montanhas, os irmãos não tiveram notícias um do outro, apenas esperaram o crescimento de seu povo por séculos.
Gerações se passaram desde a fuga dos anões e o tempo apagou os detalhes das histórias dos dois príncipes e quando as duas cidadelas anãs entraram novamente em contato, ambos os reis (herdeiros diretos dos príncipes) proclamavam-se herdeiros de direito do Grande Reino, afirmando que seu antepassado era o filho mais velho do último Grande Rei. Essa discórdia iniciou uma guerra entre as duas cidadelas anãs que prevalece até os dias atuais.

O Antigo Reino Anão

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