Ragnar

Sombrio Arcanista formado na Academia Real de Yondária

Description:

Homem de intensos olhos azuis, sempre atentos ao seu redor, uma expressão séria e sombria e uma postura erudita são as principais características desse experiente Arcanista. Sempre observando os detalhes ao seu redor, prefere manter-se a distância de situações de perigo esperando uma oportunidade de agir.

Calmo e educado, Ragnar seria uma companhia agradável se não fosse o palpável ar de mistério e segredo que o cerca, sempre observando as pessoas e mentindo sobre pequenos detalhes ou todo o seu passado.

Bio:

Ragnar foi educado na Academia Real de Yondária, na capital Yondar’at. Teve grande parte de seu aprendizado sob a tutela de Lucius Faust, sério professor e responsável pela Iátrica (ala médica e de estudos de medicina) da Academia, com quem aprendeu as principais magias que conhece.

Sofreu um grande trauma quando perdeu a mulher que amava, Lodanna Valéry, em um assassinato ritualístico brutal, forçando-o a sair da Academia pela culpa que sentia.


Lucius se afastou para o lado e Ragnar olhou para o quarto. Não viu Lodanna. Tudo o que viu foi sangue. Sua visão começou a ficar embaçada e sentiu lágrimas escorrendo por seu rosto. Não conseguia registrar as manchas extravagantes, como faixas brilhantes lançadas por mãos furiosas contra as paredes, os móveis e os lençóis.
- Arterial – disse Lucius.
Ragnar só conseguiu menear a cabeça, silencioso, à medida que seu olhar seguia as manchas em forma de arcos, lendo a história de horror que registrava os últimos segundos de Lodanna.
- Quando o primeiro corte foi feito, o coração dela ainda batia, ainda gerava pressão arterial – Lucius olhou para Ragnar, incerto se deveria continuar. – O primeiro jato jorrou bem acima da cama, traçando um arco na parte mais alta da parede. Após alguns pulsos vigoroso, os arcos começaram a baixar. O corpo tentava compensar a pressão que diminuía, as artérias se retraindo, o pulso acelerando. Mas, a cada batida do coração, ele exauria a si mesmo, acelerando a própria morte. Quando finalmente a pressão cedeu e o coração parou de bater, não houve mais jorros, apenas um pequeno vazamento do que restava de sangue.
Ragnar se deteve, seu olhar concentrada em algo que quase passara despercebido entre tanto sangue. Algo que fez os cabelos de sua nuca subitamente se arrepiarem. Desenhadas com sangue em uma parede, havia um símbolo conhecido.
- Onde ela está? – perguntou Ragnar, a voz estranhamente calma.
Não houve resposta. Apenas um menear de cabeça.
Ao dar a volta na cama, Ragnar viu o que antes costumava ser Lodanna. Estava deitada de costas, despida. A hemorragia fizera sua pele ficar da cor de alabastro, e Ragnar subitamente lembrou-se das estátuas fragmentadas pela Academia. O desgaste dos séculos lascara o mármore, quebrando cabeças e braços até não restar muito mais que torsos anônimos. Era isso que ele viu então, ao olhar para o corpo. Uma deusa mutilada. Sem cabeça.
- Vocês encontraram… – sua voz falseou.
- O resto dela? – completou Lucius. – Sim. Mas você não tem que ver isso.
Ragnar começou a atravessar o quarto em direção ao corredor, evitando os avisos de Lucius. À porta da cozinha parou, atônito demais com o que via para emitir qualquer palavra.
No chão de ladrilhos, um amplo círculo negro fora traçado. Espacejadas ao redor da circunferência havia seis poças de cera azul que haviam derretido e solidificado. No centro do círculo, posicionada de modo que os olhos estivessem voltados para quem entrasse na cozinha, repousava a cabeça decepada de Lodanna.
Era para ser eu. Foi a última coisa que passou pela cabeça de Ragnar antes que suas memórias tomassem controle.

Ragnar

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